
Lisbon Bass
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Existem momentos definidores que conseguem ser fixados em disco para a posteridade. CompilaçÔes-chave como a sĂ©rie do Rock Rendez-Vouz nos anos 80 ou âRapĂșblicaâ nos anos 90 mantĂȘm-se como marcos sinalizadores para quem vai atrĂĄs procurar cultura. Da mesma forma, âLisbon Bassâ reĂșne todas as caracterĂsticas para perdurar como compĂȘndio da produção electrĂłnica mais orientada para beats quebrados por malta que opera em Lisboa e arredores, essencialmente. A popularidade da cultura hip hop e o impacto do drum & bass e do reggae nas cenas de dança nacionais contribuiram para criar e manter um circuito de breaks & bass dinĂąmico e saudĂĄvel, o qual sempre sustentou uma regularidade de festas e produção que agora naturalmente se inclina para dubstep e a bass britĂąnica. âLisbon Bassâ procura assim detectar a especificidade da cena bass local, tocada por influĂȘncias africanas tanto quanto britĂąnicas. Se Die Von Brau e Photonz, no inĂcio, parecem mais prĂłximos do perĂodo dourado da Warp (primeira metade dos 90s), Roulet lança o speed africano logo continuado por Octa Push e Bodona. Mr. Gasparov e DJ Ride sĂŁo agrupados no centro do disco e as suas contribuiçÔes justificam o bass numa linha mais dubstep (com ĂȘnfase no dub em Mr. Gasparov, cujo âCarnivoreâ tem suficientes ondas dub techno para aparecer num disco da Echocord). DJ Unite traça uma linha recta desde o drum & bass atmosfĂ©rico de LTJ Bukem e equilibra o Espaço com piano que cumpre uma função semelhante ao que acontece com Terre Thaemlitz / DJ Sprinkles nas suas produçÔes house. Ă nesta Ășltima palavra que podemos encontrar os sempre excitantes Niagara, sabiamente agarrados para âLisbon Bassâ por oferecerem uma personalidade que mais ninguĂ©m tem. Rastronaut mergulha mais fundo na house, como indica a sua citação de Kelly Charles (âYouâre No Good For Meâ) e os sons rave-y do seu âNo Goodâ. Ăfrica regressa com intensidade no inevitĂĄvel DJ Marfox, produtor de batida com amor em total consideração pelos originadores do kuduro. âGinga Beatâ refere o programa de rĂĄdio com o mesmo nome, atravĂ©s do qual uma das organizadoras desta compilação (Violet) divulga bass, breaks & beats de cĂĄ e de lĂĄ. O outro responsĂĄvel Ă© D-Mars, veterano da cena hip hop nacional, pela qual fez muito (incluindo a co-fundação da incontornĂĄvel editora Loop), entretanto aberto, desde a sua nova base em AmesterdĂŁo, a outros sons electrĂłnicos que povoam o planeta. Na faixa nĂșmero 12, Nigga Poison em tratamento Beat Laden, com sirene e tiros a abrir um mutante tecnĂłide que fala sobre festa, a palavra que unifica naturalmente todas as culturas de dança. Depois, Deestant Rockers (Jari Marjamaki e colaboradores pontuais) asseguram o 4/4 techno em modo viajante e com ecos de soundsystem na distĂŁncia. No fim, a Ășnica conexĂŁo Ăłbvia Ă localidade, para quem necessita de uma imagem mais clara: âMourariaâ, de Infestus com M Pex, subintitula-se âFado da Minoriaâ e Ă© uma balada em que a guitarra acentua a languidez dos beats (uma espĂ©cie de kizomba mais letĂĄrgica) e a melancolia dos blips. Cumpre-se o destino. Se repararam, a ligação em forma de texto entre as faixas parece estudada mas ela espelha bem a fluidez e naturalidade que acontece no CD e isso revela o cuidado e o carinho colocados nesta compilação.
Original: $9.95
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$3.48Lisbon Bass
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Existem momentos definidores que conseguem ser fixados em disco para a posteridade. CompilaçÔes-chave como a sĂ©rie do Rock Rendez-Vouz nos anos 80 ou âRapĂșblicaâ nos anos 90 mantĂȘm-se como marcos sinalizadores para quem vai atrĂĄs procurar cultura. Da mesma forma, âLisbon Bassâ reĂșne todas as caracterĂsticas para perdurar como compĂȘndio da produção electrĂłnica mais orientada para beats quebrados por malta que opera em Lisboa e arredores, essencialmente. A popularidade da cultura hip hop e o impacto do drum & bass e do reggae nas cenas de dança nacionais contribuiram para criar e manter um circuito de breaks & bass dinĂąmico e saudĂĄvel, o qual sempre sustentou uma regularidade de festas e produção que agora naturalmente se inclina para dubstep e a bass britĂąnica. âLisbon Bassâ procura assim detectar a especificidade da cena bass local, tocada por influĂȘncias africanas tanto quanto britĂąnicas. Se Die Von Brau e Photonz, no inĂcio, parecem mais prĂłximos do perĂodo dourado da Warp (primeira metade dos 90s), Roulet lança o speed africano logo continuado por Octa Push e Bodona. Mr. Gasparov e DJ Ride sĂŁo agrupados no centro do disco e as suas contribuiçÔes justificam o bass numa linha mais dubstep (com ĂȘnfase no dub em Mr. Gasparov, cujo âCarnivoreâ tem suficientes ondas dub techno para aparecer num disco da Echocord). DJ Unite traça uma linha recta desde o drum & bass atmosfĂ©rico de LTJ Bukem e equilibra o Espaço com piano que cumpre uma função semelhante ao que acontece com Terre Thaemlitz / DJ Sprinkles nas suas produçÔes house. Ă nesta Ășltima palavra que podemos encontrar os sempre excitantes Niagara, sabiamente agarrados para âLisbon Bassâ por oferecerem uma personalidade que mais ninguĂ©m tem. Rastronaut mergulha mais fundo na house, como indica a sua citação de Kelly Charles (âYouâre No Good For Meâ) e os sons rave-y do seu âNo Goodâ. Ăfrica regressa com intensidade no inevitĂĄvel DJ Marfox, produtor de batida com amor em total consideração pelos originadores do kuduro. âGinga Beatâ refere o programa de rĂĄdio com o mesmo nome, atravĂ©s do qual uma das organizadoras desta compilação (Violet) divulga bass, breaks & beats de cĂĄ e de lĂĄ. O outro responsĂĄvel Ă© D-Mars, veterano da cena hip hop nacional, pela qual fez muito (incluindo a co-fundação da incontornĂĄvel editora Loop), entretanto aberto, desde a sua nova base em AmesterdĂŁo, a outros sons electrĂłnicos que povoam o planeta. Na faixa nĂșmero 12, Nigga Poison em tratamento Beat Laden, com sirene e tiros a abrir um mutante tecnĂłide que fala sobre festa, a palavra que unifica naturalmente todas as culturas de dança. Depois, Deestant Rockers (Jari Marjamaki e colaboradores pontuais) asseguram o 4/4 techno em modo viajante e com ecos de soundsystem na distĂŁncia. No fim, a Ășnica conexĂŁo Ăłbvia Ă localidade, para quem necessita de uma imagem mais clara: âMourariaâ, de Infestus com M Pex, subintitula-se âFado da Minoriaâ e Ă© uma balada em que a guitarra acentua a languidez dos beats (uma espĂ©cie de kizomba mais letĂĄrgica) e a melancolia dos blips. Cumpre-se o destino. Se repararam, a ligação em forma de texto entre as faixas parece estudada mas ela espelha bem a fluidez e naturalidade que acontece no CD e isso revela o cuidado e o carinho colocados nesta compilação.
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