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Ghosted III
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TrĂȘs ĂĄlbuns desde 2022 e todos numerados a seguir a “Ghosted”, projecto que reĂșne o guitarrista Oren Ambarchi, o contrabaixista Johan Berthling e o baterista Andreas Werliin. Pelo que temos em mĂŁos, dĂĄ vontade de atirar a conversa para outro lado e relacionar este “Ghosted” com os ĂĄlbuns numerados de Neu. Porque hĂĄ uma certa relação sonora, construĂ­da pela forma mecĂąnica a que as peças deste trio soam de forma fluĂ­da ao longo dos trĂȘs ĂĄlbuns. Poder-se-ia achar que o segredo disso estĂĄ na parte rĂ­tmica, mas vem mais da guitarra de Ambarchi, cuja assinatura Ă© um caso de extrema relevĂąncia na mĂșsica contemporĂąnea. Tanto se instala na electrĂłnica, como na ambiente, na experimental e, em certos casos, num certo rock que se desliga da ideia FM de rock. E, sim, no jazz. Mas serĂĄ isto mesmo em jazz? Poderia ser rock progressivo? TambĂ©m. FicarĂ­amos chocados se alguĂ©m dissesse funk? Nem por isso. Alguns estĂ­mulos fazem-nos acreditar que sim, Ă© mesmo jazz, a forma como tudo parece surgir de forma espontĂąnea tambĂ©m, mas hĂĄ - tem havido – algo para lĂĄ disso. Os Neu nĂŁo surgem por acaso, hĂĄ aqui muito de krautrock, algo que nĂŁo vem de imediato por causa dos instrumentos, mas a receita estĂĄ toda lĂĄ: seja pela visĂŁo clĂĄssica do rock, seja pelo seu lado mais cĂłsmico/kosmische. “Ghosted III” tem a mesma receita, pois claro, e nĂŁo deverĂ­amos ficar muito chateados com isso, porque nĂŁo Ă© mais do mesmo, mas a continuação de um percurso. E, a cada passo, tĂȘm ficado melhores mĂșsicos, comunicam melhor, as ligaçÔes entre as ideias sĂŁo mais naturais e, mais importante, exponencialmente estimulantes. Se no primeiro “Ghosted” ficĂĄmos assombrados com a ideia de quĂ­mica, aqui Ă© isso no campo do infinito. JĂĄ Ă© mĂșsica sem segredos, mas Ă©, tambĂ©m, mĂșsica que ouvimos melhor, que respeita melhor os nossos estĂ­mulos, sensaçÔes e inteligĂȘncia. MĂșsica para acreditar que tudo melhora porque, caramba, se Oren, Johan e Andreas ficam melhores a cada disco – o primeiro Ă© tĂŁo bom que sempre nos pareceu impossĂ­vel -, qualquer outra coisa tambĂ©m pode seguir esse caminho. É, sem essas intençÔes, um disco de esperança.

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TrĂȘs ĂĄlbuns desde 2022 e todos numerados a seguir a “Ghosted”, projecto que reĂșne o guitarrista Oren Ambarchi, o contrabaixista Johan Berthling e o baterista Andreas Werliin. Pelo que temos em mĂŁos, dĂĄ vontade de atirar a conversa para outro lado e relacionar este “Ghosted” com os ĂĄlbuns numerados de Neu. Porque hĂĄ uma certa relação sonora, construĂ­da pela forma mecĂąnica a que as peças deste trio soam de forma fluĂ­da ao longo dos trĂȘs ĂĄlbuns. Poder-se-ia achar que o segredo disso estĂĄ na parte rĂ­tmica, mas vem mais da guitarra de Ambarchi, cuja assinatura Ă© um caso de extrema relevĂąncia na mĂșsica contemporĂąnea. Tanto se instala na electrĂłnica, como na ambiente, na experimental e, em certos casos, num certo rock que se desliga da ideia FM de rock. E, sim, no jazz. Mas serĂĄ isto mesmo em jazz? Poderia ser rock progressivo? TambĂ©m. FicarĂ­amos chocados se alguĂ©m dissesse funk? Nem por isso. Alguns estĂ­mulos fazem-nos acreditar que sim, Ă© mesmo jazz, a forma como tudo parece surgir de forma espontĂąnea tambĂ©m, mas hĂĄ - tem havido – algo para lĂĄ disso. Os Neu nĂŁo surgem por acaso, hĂĄ aqui muito de krautrock, algo que nĂŁo vem de imediato por causa dos instrumentos, mas a receita estĂĄ toda lĂĄ: seja pela visĂŁo clĂĄssica do rock, seja pelo seu lado mais cĂłsmico/kosmische. “Ghosted III” tem a mesma receita, pois claro, e nĂŁo deverĂ­amos ficar muito chateados com isso, porque nĂŁo Ă© mais do mesmo, mas a continuação de um percurso. E, a cada passo, tĂȘm ficado melhores mĂșsicos, comunicam melhor, as ligaçÔes entre as ideias sĂŁo mais naturais e, mais importante, exponencialmente estimulantes. Se no primeiro “Ghosted” ficĂĄmos assombrados com a ideia de quĂ­mica, aqui Ă© isso no campo do infinito. JĂĄ Ă© mĂșsica sem segredos, mas Ă©, tambĂ©m, mĂșsica que ouvimos melhor, que respeita melhor os nossos estĂ­mulos, sensaçÔes e inteligĂȘncia. MĂșsica para acreditar que tudo melhora porque, caramba, se Oren, Johan e Andreas ficam melhores a cada disco – o primeiro Ă© tĂŁo bom que sempre nos pareceu impossĂ­vel -, qualquer outra coisa tambĂ©m pode seguir esse caminho. É, sem essas intençÔes, um disco de esperança.

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TrĂȘs ĂĄlbuns desde 2022 e todos numerados a seguir a “Ghosted”, projecto que reĂșne o guitarrista Oren Ambarchi, o contrabaixista Johan Berthling e o baterista Andreas Werliin. Pelo que temos em mĂŁos, dĂĄ vontade de atirar a conversa para outro lado e relacionar este “Ghosted” com os ĂĄlbuns numerados de Neu. Porque hĂĄ uma certa relação sonora, construĂ­da pela forma mecĂąnica a que as peças deste trio soam de forma fluĂ­da ao longo dos trĂȘs ĂĄlbuns. Poder-se-ia achar que o segredo disso estĂĄ na parte rĂ­tmica, mas vem mais da guitarra de Ambarchi, cuja assinatura Ă© um caso de extrema relevĂąncia na mĂșsica contemporĂąnea. Tanto se instala na electrĂłnica, como na ambiente, na experimental e, em certos casos, num certo rock que se desliga da ideia FM de rock. E, sim, no jazz. Mas serĂĄ isto mesmo em jazz? Poderia ser rock progressivo? TambĂ©m. FicarĂ­amos chocados se alguĂ©m dissesse funk? Nem por isso. Alguns estĂ­mulos fazem-nos acreditar que sim, Ă© mesmo jazz, a forma como tudo parece surgir de forma espontĂąnea tambĂ©m, mas hĂĄ - tem havido – algo para lĂĄ disso. Os Neu nĂŁo surgem por acaso, hĂĄ aqui muito de krautrock, algo que nĂŁo vem de imediato por causa dos instrumentos, mas a receita estĂĄ toda lĂĄ: seja pela visĂŁo clĂĄssica do rock, seja pelo seu lado mais cĂłsmico/kosmische. “Ghosted III” tem a mesma receita, pois claro, e nĂŁo deverĂ­amos ficar muito chateados com isso, porque nĂŁo Ă© mais do mesmo, mas a continuação de um percurso. E, a cada passo, tĂȘm ficado melhores mĂșsicos, comunicam melhor, as ligaçÔes entre as ideias sĂŁo mais naturais e, mais importante, exponencialmente estimulantes. Se no primeiro “Ghosted” ficĂĄmos assombrados com a ideia de quĂ­mica, aqui Ă© isso no campo do infinito. JĂĄ Ă© mĂșsica sem segredos, mas Ă©, tambĂ©m, mĂșsica que ouvimos melhor, que respeita melhor os nossos estĂ­mulos, sensaçÔes e inteligĂȘncia. MĂșsica para acreditar que tudo melhora porque, caramba, se Oren, Johan e Andreas ficam melhores a cada disco – o primeiro Ă© tĂŁo bom que sempre nos pareceu impossĂ­vel -, qualquer outra coisa tambĂ©m pode seguir esse caminho. É, sem essas intençÔes, um disco de esperança.