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Pripyat
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Ao longo do último ano, depois da estreia no início de 2022 com "Pripyat", Marina Herlop tem-se tornado numa estrela em ascensão da electrónica actual. Para alguns é uma Björk desta década - e ficam muito felizes por estar a ver isto a despoletar - por outro, é uma espécie de Rosalía alternativa, pegando noutro lado da música tradicional espanhola - e não só - para criar música contemporânea. Em "Pripyat", tal como havia feito nos álbuns anteriores - "Nanook" e "Babasha" - coloca a voz ao serviço do avant-garde e de ritmos gordos e chorões que combinam sensualidade com pastilha elástica. Ter uma versão física de "Pripyat" em finais de 2023 é um acontecimento, porque é algo inesperado, já não estávamos a contar com uma versão física de um dos álbuns mais importantes de 2022. A escolha por uma linguagem inexistente, imaginada por ela para edificar e conduzir melodias transforma cada canção numa belíssima efemeridade pop. Com isto não se quer dizer que a música é volátil. As harmonias que constrói agarram de imediato e a estranheza da linguagem capta a atenção. Como que uma alienação de tudo o resto, uma ferramenta para se ser puxado para dentro das canções de Herlop e ficar envolvido nos beats quebrados, estruturas partidas ou esticadas que adornam uma electrónica que parece vir de dentro. A voz é a orgânica disto tudo. Marina Herlop usa-a e, em segundo plano, o piano para construir uma certa acrobacia entre o clássico e o contemporâneo, o tradicional e o pop, o desejo de performance com uma electrónica frontal e assertiva. Há vontades de hyperpop e o encaixe com a PAN é perfeito, porque se pensa imediatamente em Arca, Eartheater ou Pan Daijing, mas também em Beatrice Dillon, Yves Tumor e Anne Imhof. Ou seja, faz parte da família. E, por aí, pensa-se em como a electrónica tornou-se em qualquer coisa de orgânico com a PAN, de como olhamos para os seus artistas como sussurros do futuro. Ouvir Marina Herlop é sentir essa interação, mas mesmo sem PAN teria conquistado isso com direito próprio. Folk sem medo da inovação, electrónica que sabe assimilar e, sobretudo, o uso da voz para conduzir harmonias para sonhos pop que, antes de Herlop, pareciam muito distantes.

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Ao longo do último ano, depois da estreia no início de 2022 com "Pripyat", Marina Herlop tem-se tornado numa estrela em ascensão da electrónica actual. Para alguns é uma Björk desta década - e ficam muito felizes por estar a ver isto a despoletar - por outro, é uma espécie de Rosalía alternativa, pegando noutro lado da música tradicional espanhola - e não só - para criar música contemporânea. Em "Pripyat", tal como havia feito nos álbuns anteriores - "Nanook" e "Babasha" - coloca a voz ao serviço do avant-garde e de ritmos gordos e chorões que combinam sensualidade com pastilha elástica. Ter uma versão física de "Pripyat" em finais de 2023 é um acontecimento, porque é algo inesperado, já não estávamos a contar com uma versão física de um dos álbuns mais importantes de 2022. A escolha por uma linguagem inexistente, imaginada por ela para edificar e conduzir melodias transforma cada canção numa belíssima efemeridade pop. Com isto não se quer dizer que a música é volátil. As harmonias que constrói agarram de imediato e a estranheza da linguagem capta a atenção. Como que uma alienação de tudo o resto, uma ferramenta para se ser puxado para dentro das canções de Herlop e ficar envolvido nos beats quebrados, estruturas partidas ou esticadas que adornam uma electrónica que parece vir de dentro. A voz é a orgânica disto tudo. Marina Herlop usa-a e, em segundo plano, o piano para construir uma certa acrobacia entre o clássico e o contemporâneo, o tradicional e o pop, o desejo de performance com uma electrónica frontal e assertiva. Há vontades de hyperpop e o encaixe com a PAN é perfeito, porque se pensa imediatamente em Arca, Eartheater ou Pan Daijing, mas também em Beatrice Dillon, Yves Tumor e Anne Imhof. Ou seja, faz parte da família. E, por aí, pensa-se em como a electrónica tornou-se em qualquer coisa de orgânico com a PAN, de como olhamos para os seus artistas como sussurros do futuro. Ouvir Marina Herlop é sentir essa interação, mas mesmo sem PAN teria conquistado isso com direito próprio. Folk sem medo da inovação, electrónica que sabe assimilar e, sobretudo, o uso da voz para conduzir harmonias para sonhos pop que, antes de Herlop, pareciam muito distantes.

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Ao longo do último ano, depois da estreia no início de 2022 com "Pripyat", Marina Herlop tem-se tornado numa estrela em ascensão da electrónica actual. Para alguns é uma Björk desta década - e ficam muito felizes por estar a ver isto a despoletar - por outro, é uma espécie de Rosalía alternativa, pegando noutro lado da música tradicional espanhola - e não só - para criar música contemporânea. Em "Pripyat", tal como havia feito nos álbuns anteriores - "Nanook" e "Babasha" - coloca a voz ao serviço do avant-garde e de ritmos gordos e chorões que combinam sensualidade com pastilha elástica. Ter uma versão física de "Pripyat" em finais de 2023 é um acontecimento, porque é algo inesperado, já não estávamos a contar com uma versão física de um dos álbuns mais importantes de 2022. A escolha por uma linguagem inexistente, imaginada por ela para edificar e conduzir melodias transforma cada canção numa belíssima efemeridade pop. Com isto não se quer dizer que a música é volátil. As harmonias que constrói agarram de imediato e a estranheza da linguagem capta a atenção. Como que uma alienação de tudo o resto, uma ferramenta para se ser puxado para dentro das canções de Herlop e ficar envolvido nos beats quebrados, estruturas partidas ou esticadas que adornam uma electrónica que parece vir de dentro. A voz é a orgânica disto tudo. Marina Herlop usa-a e, em segundo plano, o piano para construir uma certa acrobacia entre o clássico e o contemporâneo, o tradicional e o pop, o desejo de performance com uma electrónica frontal e assertiva. Há vontades de hyperpop e o encaixe com a PAN é perfeito, porque se pensa imediatamente em Arca, Eartheater ou Pan Daijing, mas também em Beatrice Dillon, Yves Tumor e Anne Imhof. Ou seja, faz parte da família. E, por aí, pensa-se em como a electrónica tornou-se em qualquer coisa de orgânico com a PAN, de como olhamos para os seus artistas como sussurros do futuro. Ouvir Marina Herlop é sentir essa interação, mas mesmo sem PAN teria conquistado isso com direito próprio. Folk sem medo da inovação, electrónica que sabe assimilar e, sobretudo, o uso da voz para conduzir harmonias para sonhos pop que, antes de Herlop, pareciam muito distantes.

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