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A mĂșsica de AngĂ©lica Salvi situa-se entre a memĂłria, familiaridade e relaçÔes. Talvez seja um desrespeito pelas regras começar por uma referĂȘncia Ă  mĂșsica da harpista por via do abstrato, ao invĂ©s de arrancar com a referĂȘncia de que Ă© espanhola, reside no Porto desde 2011, e que “Habitat” Ă© o segundo registo a solo, depois de “Phantone” (Lovers & Lollypops, 2019). Mas esse “desrespeito” faz parte tambĂ©m da mĂșsica de AngĂ©lica Salvi. NĂŁo pede desculpa para ser como Ă©. Faz esquecer factos, abre de imediato um imenso leque de sensaçÔes e respira uma linguagem que qualquer ouvido entende. “Nan”, o tema de abertura, consegue, em meros segundos, criar uma levitação sonora. Isto antes da harpa, como a imaginamos, fazer-se ouvir. Se “Phantone” existia nessa palavra criada entre “Pantone” e “Phantom”, favorecendo uma viagem pela memĂłria, as harmonias abertas, coloridas e conviviais de “Habitat” promovem uma ideia de presente, de viver o momento. Gravado em Maio deste ano no seu estĂșdio (Garagem 16), “Habitat” Ă© um grande passo em frente. Parte disso tem a ver com a comunicação direta destes oito temas. A harpa continua a ser o elemento central, mas hĂĄ um maior uso de efeitos e processamento de som que tornam o som mais especial. O facto desse trabalho ter acontecido em tempo real, para tornar possĂ­vel que o som se consiga reproduzir e processar de forma direta, tornam a experiĂȘncia sonora bem mais real, viva, efervescente. Essa abordagem permite igualmente que o som da harpa aconteça com presença de espaço. Imponente, faz-se ouvir, causa estrondo. Os sons parecem uma porta para um caminho, sem que algo se feche. As melodias encantam, mĂĄgicas, sem feitiços, adornadas por algo de etĂ©reo. Os temas de “Habitat” ouvem-se como cançÔes e menos como peças. Curiosamente, evoluem como composiçÔes abertas, luminosas e que irradiam luz. HĂĄ algo de relacionĂĄvel aqui, tal como em “Phantone”, mas se aĂ­ existia um convite pela memĂłria/nostalgia, aqui Ă© como se a mĂșsica esticasse a mĂŁo e quisesse andar lado-a-lado. Os sons encontram-nos, apanham-nos desprevenidos – daĂ­ ouvirem-se como cançÔes prĂłximas, familiares – e ecoam com uma vontade de levitar. Talvez por isso, se sinta que a mĂșsica de Salvi dĂĄ a mĂŁo, para nĂŁo se fugir com as cançÔes. Quer-nos ali, a conviver com ela naquelas melodias.

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A mĂșsica de AngĂ©lica Salvi situa-se entre a memĂłria, familiaridade e relaçÔes. Talvez seja um desrespeito pelas regras começar por uma referĂȘncia Ă  mĂșsica da harpista por via do abstrato, ao invĂ©s de arrancar com a referĂȘncia de que Ă© espanhola, reside no Porto desde 2011, e que “Habitat” Ă© o segundo registo a solo, depois de “Phantone” (Lovers & Lollypops, 2019). Mas esse “desrespeito” faz parte tambĂ©m da mĂșsica de AngĂ©lica Salvi. NĂŁo pede desculpa para ser como Ă©. Faz esquecer factos, abre de imediato um imenso leque de sensaçÔes e respira uma linguagem que qualquer ouvido entende. “Nan”, o tema de abertura, consegue, em meros segundos, criar uma levitação sonora. Isto antes da harpa, como a imaginamos, fazer-se ouvir. Se “Phantone” existia nessa palavra criada entre “Pantone” e “Phantom”, favorecendo uma viagem pela memĂłria, as harmonias abertas, coloridas e conviviais de “Habitat” promovem uma ideia de presente, de viver o momento. Gravado em Maio deste ano no seu estĂșdio (Garagem 16), “Habitat” Ă© um grande passo em frente. Parte disso tem a ver com a comunicação direta destes oito temas. A harpa continua a ser o elemento central, mas hĂĄ um maior uso de efeitos e processamento de som que tornam o som mais especial. O facto desse trabalho ter acontecido em tempo real, para tornar possĂ­vel que o som se consiga reproduzir e processar de forma direta, tornam a experiĂȘncia sonora bem mais real, viva, efervescente. Essa abordagem permite igualmente que o som da harpa aconteça com presença de espaço. Imponente, faz-se ouvir, causa estrondo. Os sons parecem uma porta para um caminho, sem que algo se feche. As melodias encantam, mĂĄgicas, sem feitiços, adornadas por algo de etĂ©reo. Os temas de “Habitat” ouvem-se como cançÔes e menos como peças. Curiosamente, evoluem como composiçÔes abertas, luminosas e que irradiam luz. HĂĄ algo de relacionĂĄvel aqui, tal como em “Phantone”, mas se aĂ­ existia um convite pela memĂłria/nostalgia, aqui Ă© como se a mĂșsica esticasse a mĂŁo e quisesse andar lado-a-lado. Os sons encontram-nos, apanham-nos desprevenidos – daĂ­ ouvirem-se como cançÔes prĂłximas, familiares – e ecoam com uma vontade de levitar. Talvez por isso, se sinta que a mĂșsica de Salvi dĂĄ a mĂŁo, para nĂŁo se fugir com as cançÔes. Quer-nos ali, a conviver com ela naquelas melodias.

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A mĂșsica de AngĂ©lica Salvi situa-se entre a memĂłria, familiaridade e relaçÔes. Talvez seja um desrespeito pelas regras começar por uma referĂȘncia Ă  mĂșsica da harpista por via do abstrato, ao invĂ©s de arrancar com a referĂȘncia de que Ă© espanhola, reside no Porto desde 2011, e que “Habitat” Ă© o segundo registo a solo, depois de “Phantone” (Lovers & Lollypops, 2019). Mas esse “desrespeito” faz parte tambĂ©m da mĂșsica de AngĂ©lica Salvi. NĂŁo pede desculpa para ser como Ă©. Faz esquecer factos, abre de imediato um imenso leque de sensaçÔes e respira uma linguagem que qualquer ouvido entende. “Nan”, o tema de abertura, consegue, em meros segundos, criar uma levitação sonora. Isto antes da harpa, como a imaginamos, fazer-se ouvir. Se “Phantone” existia nessa palavra criada entre “Pantone” e “Phantom”, favorecendo uma viagem pela memĂłria, as harmonias abertas, coloridas e conviviais de “Habitat” promovem uma ideia de presente, de viver o momento. Gravado em Maio deste ano no seu estĂșdio (Garagem 16), “Habitat” Ă© um grande passo em frente. Parte disso tem a ver com a comunicação direta destes oito temas. A harpa continua a ser o elemento central, mas hĂĄ um maior uso de efeitos e processamento de som que tornam o som mais especial. O facto desse trabalho ter acontecido em tempo real, para tornar possĂ­vel que o som se consiga reproduzir e processar de forma direta, tornam a experiĂȘncia sonora bem mais real, viva, efervescente. Essa abordagem permite igualmente que o som da harpa aconteça com presença de espaço. Imponente, faz-se ouvir, causa estrondo. Os sons parecem uma porta para um caminho, sem que algo se feche. As melodias encantam, mĂĄgicas, sem feitiços, adornadas por algo de etĂ©reo. Os temas de “Habitat” ouvem-se como cançÔes e menos como peças. Curiosamente, evoluem como composiçÔes abertas, luminosas e que irradiam luz. HĂĄ algo de relacionĂĄvel aqui, tal como em “Phantone”, mas se aĂ­ existia um convite pela memĂłria/nostalgia, aqui Ă© como se a mĂșsica esticasse a mĂŁo e quisesse andar lado-a-lado. Os sons encontram-nos, apanham-nos desprevenidos – daĂ­ ouvirem-se como cançÔes prĂłximas, familiares – e ecoam com uma vontade de levitar. Talvez por isso, se sinta que a mĂșsica de Salvi dĂĄ a mĂŁo, para nĂŁo se fugir com as cançÔes. Quer-nos ali, a conviver com ela naquelas melodias.

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